“- Que bagunça! - Exclamou e apoiou a cabeça por entre os joelhos.
Viu-se ali sozinha, gritando um silêncio ensurdecedor. Para ser mais sincera e exata, o silêncio predominava ali. De certo, era a única coisa que ainda tinha. Mas como assim “a única coisa que ela tinha”? É… Não! Não, não… Não perdera tudo, não. Perdera a si mesma, e pior ainda… dentro de si. […] Era uma completa bagunça. Indescritível, incompreendível, indomável… Queria sair do mundo, entrar no seu próprio, queria viver, porque decididamente, não vivia, não agora, ou antes… apenas respirava. Sabe? Estar ali só por… só por estar mesmo.
“Beep Beep.” - Uma sms a despertou dali, a fez sair de sua própria órbita e voltar ao mundo normal.
“Me liga, agora.” - era ele.
Ela ligou…
- Oi.
- Oi. - O tom dele foi triste.
- Tudo bem?
- Eu sempre to bem pequena. E ti?
- Ta tudo normal. - “Pequena?”, pensou ela… Fazia um tempo que não o ouvia chama-la assim.
- Mesmo? - Ele a conhecia mais do que ela própria. Certeza… muito mais.
- Mesmo… - Ela suspirou.
- Tá… Eu to com saudades, pequena.
- Tá nada, fica quieto. - Ela riu.
- Shiu pequena, shiu.
- Só to dizendo a verdade. - Ela fez tom de brava.
- Sua boba.
- É.
- É?
- É.
- O que?
- Sua.
- Minha.
- Sua.
- Só minha. - Ambos riram.
- Egoísta.
- Não.
- Sim.
- Tá, sou mesmo, ainda mais se tratando de ti.
- Ser egoísta é feio.
- Ser chata também é.
- Não sou chata.
- E eu não sou egoísta.
- Não.
- Não?
- Você é meu.
- E tu é minha.
Riram novamente.
- Que barulheira é essa ai? - Ela estava certa de que ouvira carros ao fundo. E de vez, não enganava-se.
- Nada. Não tô em casa.
- Tá aonde?
- Por ai. - A voz dele era calma, mas conteve um pouco de rigorosidade, que a fez calar-se.
Um minuto de silêncio…
- Por ai? - Arriscou-se a perguntar.
Ele não respondeu. Só era possível ouvir o som da respiração meio falhada e lenta dela, tentando entrar em sintonia com os barulhos do outro lado da linha.
- Tu já ta deitada? - A voz dele a despertou de novo.
- Não. Eu tô sentada, por que? - Ela riu.
- Levanta.
- Pronto.
- Agora desce até a sala.
- Mas eu…
- Desce. - Não era um pedido.
Ela desceu calmamente cada um dos 16 degraus de sua escada velha de mármore.
- Pronto? - Ele escutou ela dar o último passo.
- Pronto. E agora?
Ele não a respondeu.
- Amor?
Silêncio novamente.
- Amor? E agora? - Ela insistiu.
- Ei.
- Fala.
- Minha pequenininha linda…
- Fala amor.
- Abre a porta, aqui fora ta frio, e ta ficando chato sem ti.
De primeira, não acreditou. Gelou ao passar uma das mãos em volta da maçaneta. Abriu a porta devagar, e não conseguia acreditar que era mesmo ele.
E num movimento súbito, estavam um nos braços do outro.
- Ei. - Ele a encarou.
- Que foi?
- Tu é mais baixinha do que eu pensava.
- Idiota…
- Fica mais minha ainda.
- Idiota… Já disse! Idiota. - Ela riu.
- Teu idiota.
- É. Só meu.
Os olhos dela brilhavam como tal diamantes. Entraram, correram para a sala, que ficava logo ali. Um ali tão perto agora, que poderia ser do outro lado do mundo. Nada mais importava. Estava ali. Um ali que demorou tanto para chegar… Mas chegou! Chegou e vai demorar-se a partir. E se partir, vai ficar. Vai ficar na memória, no coração. Vai ficar neles. Sempre tão distantes e tão juntos. Sempre tão diferentes e tão iguais. Sempre tão eles… Ela dele, e ele dela. […]
- Quer dormir? - A voz dela não continha sono. Continha mais… Desejo.
- Não.
- Por que?
- Quero tu.
- Eu tô aqui.
- Quero mais tu.
Ela chegou mais perto. Estavam deitados no chão da sala. Em cima de uns oito cobertores e um coxão de casal antigo, e embaixo de mais uns cinco ou seis cobertores.
- Tá frio.
- Eu te esquento.
- E se ficar calor?
- Te esfrio.
- Sou muito chata?
- É muito contraditória, confusa demais.
- Demais?
- Demais pra mim.
- Não.
- …
- Ou quem sabe sim, sei lá.
- É o suficiente, sabe? Na medida certa, que eu sempre precisei e agora achei.
Ela sorriu. Um sorriso lindo, como nunca antes havia provado. Era bom. Era bom demais sentir isso. Essa sensação de, pela primeira vez em anos, sentir-se completamente completa e bem. Sentir-se dona de alguma coisa afinal, e sentir-se útil.
- Você fica linda sorrindo.
- Não.
- Shiu.
- Não.
- Não vai ficar quieta?
- Não.
- Eu faço ficar então.
- O qu…
Não a deixou terminar. A beijou, e a puxou para mais perto. Queria senti-la. Queria fazer tudo o que mais tinha vontade. Queria ela. E agora tinha a chance de tê-la. Mais do que ja tinha. A queria em si. Consigo.
- Vem?
- Vou.
- Mas tu quer?
- Quero.
- Quer de verdade?
- Já disse. Quero. Quero tu, quero tudo que vier contigo.
Ele a puxou novamente. A despiu, ferozmente. A queria, ali e naquele momento. Momento único, não? Ela o despiu também. Ambos olhavam-se.
- Ei, deixa a vergonha pra lá, e vem cá pequena. - Ele a puxou.
Passaram a noite ali. Fazendo tudo que sempre quiseram. Ora mais ferozmente, ora mais delicadamente. Completavam-se, agora, literalmente.
[…]
Amanheceu, ele acordou. Ela dormia calmamente recostada nele. “Um perfeito anjo” - Pensou. - “O meu anjo.” - E lá estava ele, sorrindo feito bobo, encarando-a.
Ela desperta, subitamente quando o vê, sorri.
- Ei, bom dia princesa. - Ele sussurra e a faz corar.
- Bom dia, príncipe. - Era a vez dela o fazer corar.
- Dormiu bem?
- Dormi contigo, se isso não for dormir bem, não sei o que é.
Mais sorrisos.
- Queria que isso não tivesse um final. - Ela suspirou.
- Não vai ter.
- Você sabe que vai.
- Não.
- Nada dura para sempre.
- Vamos ser nada então. Ou podemos tentar ser tudo. Ou então apenas vamos ser.
- Ser? O que?
- Felizes. Vamos ser… Tu minha e eu teu. Vamos fazer dar certo.
- Você já fez dar certo.
- Vamos continuar então.
- Não deixa acabar.
- Não vai.
- …
- Confia em mim?
- Mais do que em mim mesma.
[…]
Anonymous whispered, "é vc a4(.)sphotos(.)ak.fbcdn(.)net/hphotos-ak-ash4/425553_203310533110264_100002939555223_358208_652890707_n(.)jpg ?"
nãããão, esse guri ai que eu saiba é um amigo de uma amiga minha O_O HUUDHUHEDUHEDUE
Dos mesmos criadores de “Melhores amigos” vem ai “Desconhecidos”
(Source: enigmatico, via averagegirl)
“Eu simplesmente tenho problemas com seres humanos.